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07/03/2018 14:03

Pesquisadora reafirma a perspectiva do 8 de março como uma data de luta

“As mulheres sempre tiveram papel fundamental para a sociedade como um todo, ou seja, desde sempre. A questão não é o que as mulheres fazem na sociedade, mas como que as relações sociais, como culturalmente valorizamos aquilo que as mulheres realizam”. Segundo a professora doutora Maria Aparecida Prazeres Sanches, do Departamento de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Estadual de Feira de Santana (DCHF/Uefs), “a grande questão é que como este trabalho vai sendo colocado como apenas um trabalho 'de mulher', ele vai tendo uma condição de desvalorização. As mulheres o exercem, então, por isso esse tipo de atividade não é considerada como importante, como valorizada, como fundamental para a vida de todos nós”.

A pesquisadora estuda a trajetória da mulher nos últimos anos, estendendo seus conhecimentos e pesquisa para a mulher negra. Neste contexto, ela acentua dois conceitos fundamentais na construção da opressão contra as mulheres. Pelo fato de serem mulheres a sociedade já oprimem, e serem mulheres negras, a condição racial, faz com que preconceitos se acentuem com relação às mulheres negras, a hipersexualização do corpo negro que vai ser recorrentemente sinalizado pelas feministas negras como algo que desvaloriza as mulheres negras como um todo, ao reduzi-las à condição de objetos sexuais.

Assim, afirma Maria Aparecida, “os movimentos feministas, os movimentos feministas negros, precisam construir lideranças, fazer com que as mulheres tenham ciência do papel e da importância que têm nas relações sociais e a partir daí construir politicamente a transformação da própria vida e lutar contra as diversas formas de opressão. O empoderar-se tem muito este sentido de construir as ferramentas teóricas, políticas e sociais para que os oprimidos como um todo, as mulheres em particular, consigam transformar a sua opressão e consigam construir uma sociedade mais justa”.

Sobre o Oito de Março, a professora destaca que é importante que se reconheça esta data como de luta, não de flores, como importante dia de luta das mulheres para a conquista de seus direitos. “Um ganho histórico fundamental que vai marcar o movimento feminista. É através da ação do movimento feminista internacional que esta data começa a ser considerada um dia de luta para as mulheres, para o feminismo reforçar suas bandeiras, e fazer a crítica fundamental para uma sociedade mais justa, mais igualitária para todos, homens e mulheres”.

Estendendo o olhar sobre a luta e as conquistas nas últimas décadas, no Brasil, a pesquisadora classifica de momento impactante com relação às questões históricas fundamentais para a luta das mulheres foi a derrubada da ideia de ‘legítima defesa da honra’, que era argumento usado pela jurisprudência e pelos advogados para liberarem os homens, os maridos que assassinavam suas mulheres.

Em nível internacional são importantes as contribuições de mulheres como pensadora francesa Simone de Beauvoir, quando ela diz que "nós não nascemos mulheres, nós tornamos mulheres a partir das relações sociais, a partir da cultura"; e mais recentemente das vindas ao Brasil da feminista judia Judith Butler e da norte-americana Angela Yvonne Davis. “Foi um ganho fundamental do movimento, do feminismo negro, a presença de Angela Davis no Brasil, simbolicamente tudo que ela representa, não só como grande articuladora do movimento feminista americano negro, mas como referência fundamental para as feministas negras do mundo como um todo”.

A professora Maria Aparecida, que trabalha com História e Gênero e possui pesquisas que levam à discussão da história a partir da perspectiva de gênero, destaca que recentemente “o movimento de mulheres trans, como um todo, obteve significativas conquistas. A Justiça concedeu, em lei, a possibilidade das mulheres trans como um todo fazerem a modificação nos registros de nascimento, nos documentos de identificação usando o nome, o gênero ao qual elas se reconhecem. Sem sombra de dúvidas isso é um ganho político imenso”.
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